Seguros: crise provoca forte quebra de receitas

A falta de liquidez dos bancos portugueses levou a que os mesmos apostassem, em 2011, na captação de poupanças em vez de na venda de seguros, com as receitas globais do sector a baixarem quase 30 por cento no último ano.

«Depois da expansão registada no ano anterior, 2011 foi um ano de contracção da produção de seguro directo», isto é, a receita global das empresas de seguros proveniente da sua actividade comercial, informou hoje em comunicado a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

No total, os prémios e entregas processadas em 2011 foram de 11,7 mil milhões de euros, menos 4,7 mil milhões de euros (-28,6 por cento) do que no ano anterior, quebra que fez baixar o rácio desta produção face ao Produto Interno Bruto (PIB) para 6,5%.

«Na base desta evolução estiverem, porém, circunstâncias muito precisas, que afectaram especialmente a comercialização de produtos financeiros do ramo Vida, em particular em relações de bancassurance», realçou a APS.

«Apesar de outras condicionantes económicas e políticas, o factor mais relevante foi, sem dúvida, a profunda necessidade de financiamento dos bancos, que levou os respectivos grupos financeiros a privilegiar a comercialização de produtos que captassem poupanças para os seus balanços (sobretudo depósitos a prazo), em detrimento de outros que geram essencialmente receitas de comissões, como os produtos de seguros e os fundos de investimento», explicou a entidade liderada por Pedro Seixas Vale.

Assim, o decréscimo da produção do ramo Vida em 2011 foi de 38,1%, ao passo que no segmento Não Vida o recuo foi de apenas 0,9%.

A entidade frisou que, nos seguros de Acidentes de Trabalho, por exemplo, «pesaram claramente a redução do emprego e a contenção da massa salarial da economia, conduzindo a uma queda do volume de prémios de 3,7%».

Já nos seguros de Doença o volume de prémios evoluiu positivamente em 2011 (1,5%), «demonstrando o crescente interesse dos consumidores por este tipo de protecção, estimulado por factores como a comodidade e celeridade que proporciona no acesso aos cuidados de saúde, o custo relativamente acessível destes produtos e as crescentes limitações do sistema público de saúde», assinalou.

Ligeiramente positiva foi também a evolução do ramo Incêndio e Outros Danos (0,4%), para o que muito contribuiu o crescimento dos seguros de Multirriscos (2,4%), quer no segmento dos particulares, quer no das empresas.

Nota final para o ramo Automóvel, o maior do segmento Não Vida, que manteve basicamente estagnado o seu volume de prémios (quebra de 0,8%), «admitindo-se que a tal corresponda uma redução ligeira do prémio médio, já que a evolução do parque automóvel seguro, se ainda positiva, será já muito ténue, atenta a acentuada queda das vendas de veículos novos», salientou a APS.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/f

publicado por adm às 21:38 | comentar | favorito