Esta é uma das perguntas que fica para 2012. Tida como a grande operação do mercado segurador em Portugal, a venda da unidade de seguros da Caixa Geral de Depósitos
Esta é uma das perguntas que fica para 2012. Tida como a grande operação do mercado segurador em Portugal, a venda da unidade de seguros da Caixa Geral de Depósitos ainda não recebeu luz verde, mesmo tendo sido um dos pontos da lista de contrapartidas para a ajuda internacional a Portugal.
Dona das marcas Fidelidade Mundial, Império Bonança, Multicare, Via Directa (OK! Teleseguros), Cares e Companhia Portuguesa de Resseguros, a Caixa Seguros e Saúde representa cerca de um terço do mercado em Portugal (quota no Ramo não Vida de 27% e no Ramo Vida de cerca de 36%) e contribuiu nos primeiros seis meses do ano com 35,5 milhões de euros para o resultado líquido consolidado de 91,4 milhões de euros registados pelo grupo, representando 38,9% do lucro da CGD. Estes valores mostram não só a importância desta alienação para que a instituição bancária do Estado possa alcançar os novos alvos de capital impostos pelo regulador do mercado, mas também o impacto que este negócio pode ter no mercado segurador em Portugal.
A venda da unidade de seguros da Caixa aos privados deverá ser feita em bloco, tanto mais que, no início de novembro, foi anunciada a fusão das duas empresas Fidelidade Mundial e a Império Bonança. Em declarações ao jornal i, Magalhães Correia presidente da Império Bonança e Fidelidade Mundial diz que o processo de fusão não é uma resposta às exigências da troika, mas torna mais fácil o processo de alienação, uma vez que "constitui uma oportunidade de criação de valor". Embora as duas marcas continuem a existir no mercado, esta operação é justificada pela necessidade de "maximizar a eficiência da gestão do capital do grupo, de concluir a integração operacional, de simplificar os processos, de aperfeiçoar a partilha de infra-estruturas de suporte", permitindo uma maior "afectação de recursos", segundo a explicação que consta do projecto de fusão verificado no Portal da Justiça.
A Fidelidade Mundial comprou a Império Bonança em 2005 e, desde aí, tem decorrido um processo de integração das duas empresas, que culminou na fusão realizada este ano. Entre os potenciais compradores, a Liberty Seguros fez saber no final de setembro que estaria interessada em comprar algumas unidades da Caixa Seguros e Saúde. O presidente da empresa, José de Sousa, referiu em declarações ao Diário Económico o interesse na Império Bonança, mas essa hipótese foi imediatamente colocada de lado pelos responsáveis da CGD.
Ainda sem data marcada, nem candidatos publicamente assumidos, a venda já constava no Programa de Estabilidade e Crescimento de 2010, mas ganhou novo destaque com a entrada da ajuda internacional no país, tendo sido incluída como uma das contrapartidas fixadas no Memorando de Entendimento assinado entre Portugal e a troika da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, a 17 de Maio. Logo na primeira actualização ao Memorando, as entidades internacionais especificavam que esta unidade da CGD seria vendida a uma entidade do Estado "como primeiro passo para a sua eventual venda", ficando depois o Estado encarregue de a vender aos privados, em 2012. O negócio foi então estimado num montante superior a 1,5 mil milhões de euros.
fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/