Crise faz cair seguros de acidentes de trabalho e automóvel
O desemprego está a afetar vários ramos de atividade do sector segurador, sendo um desses os acidentes de trabalho. Em 2012, o montante de prémios destes seguros ascendeu a 555,9 milhões de euros, uma queda de 10,6% face à produção do ano anterior, segundo os dados referentes aos prémios de seguro direto de 2012, divulgados pelo Instituto de Seguros de Portugal (ISP).
Só as quatro principais seguradoras no ramo de acidentes de trabalho, que representam mais de metade do mercado - Fidelidade, Açoreana, Tranquilidade e Axa -, registaram, no conjunto, uma quebra de 11% face a 2011.
"A redução da massa salarial segurável conduz necessariamente a uma diminuição do negócio. Adicionalmente, registou-se em 2012 uma forte competitividade entre os operadores a atuar no mercado português, o qual originou uma política de preços muito agressiva. O ISP continuará a dar especial atenção a essa matéria no corrente ano", afirmou José Almaça, presidente do ISP, em declarações ao Dinheiro Vivo.
Havendo menos pessoas empregadas, naturalmente os seguros de acidentes de trabalho, que são obrigatórios, têm vindo a registar uma forte descida. Se forem contabilizados os períodos de 2009 a 2012 a quebra dos prémios é ainda mais expressiva: 18%.
Os seguro de acidentes de trabalho garantem a eventual responsabilidade da entidade empregadora por acidentes ocorridos com os trabalhadores, no desempenho da atividade profissional. Além disso, também cobrem o denominado risco de trajeto, ou seja, os acidentes ocorridos no percurso de e para o local de trabalho.
Os números não deixam margem para dúvidas. Diariamente há mais 289 pessoas sem trabalho. No final de 2012, de acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), estavam registados 710 652 desempregados, o que corresponde a um aumento de 17,4%.
A confirmarem-se as projeções de aumento do desemprego para 2013, a queda nos seguros de acidentes de trabalho poderá vir a aumentar ainda mais este ano.
Produção de seguros cai 5,3%
O volume de produção de seguro direto em Portugal - incluindo todas as atividades do Ramo Vida e Não Vida - ascendeu a 11 mil milhões de euros. Um valor que se traduz num decréscimo de 5,3% face ao valor verificado em 2011.
"Efetuando uma análise por ramos, conclui-se que a evolução negativa que se registou no mercado segurador deveu-se essencialmente à quebra verificada no ramo Vida (6,9%), apesar da produção dos ramos Não Vida também ter registado uma variação negativa (2,2%)", adianta o ISP no relatório anual.
Nos seguros Vida foram sobretudo os PPR, penalizados em termos fiscais, que levaram a uma queda mais acentuada da produção; os ramos que mais contribuíram para a quebra verificada na produção de Não Vida foram os acidentes de trabalho e automóvel, que representam mais de 53% da carteira em análise.
Outros ramos
Automóvel
Os prémios de seguros do ramo automóvel ascenderam a 1.569 milhões de euros no ano passado, um valor que corresponde a uma queda de 5,4% face à produção verificada em 2011. A descida de vendas de automóveis novos e também de usados é a principal justificação para a redução deste sector, penalizando o ramo Não Vida.
Doença
Os seguros de doença contrariaram a tendência verificada no conjunto do sector e registaram uma subida. Segundo o ISP, no ano passado a produção destes seguros totalizou 552,8 milhões de euros. Um valor que corresponde a uma subida de 3,1% quando comparado com os 536,2 milhões de euros de prémios do ano anterior.
Marítimo e Transportes
O aumento das exportações das empresas portuguesas pode ser uma das justificações para se ter verificado um aumento dos seguros neste ramo de atividade. Os dados do ISP mostram que, em 2012, os prémios de seguros no ramo marítimo e de transportes ascendeu a 27,1 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 18% face a 2011.
Vida
Os Planos Poupança Reforma foram uma das principais razões para a queda da produção de 12,4% dos seguros de vida. Segundo o ISP, a redução do peso dos PPR, que em 2012 representaram 10,6% da produção do ramo Vida (17% em 2011), deve-se ao decréscimo da produção em 10%, fruto da redução dos incentivos fiscais.
fonte:http://www.dinheirovivo.pt/M
