Seguradoras defendem PPR em momento difícil do sector
Num momento em que os PPR perdem subscrições, APS contrapõe com a sua rendibilidade.
Poupar em tempos de crise é sempre difícil, mas cada vez mais importante. Os alertas já foram feitos há meses, por parte do Presidente do Tribunal de Contas, do Presidente da República, pelos banqueiros e por alguns deputados da Assembleia da República.
As seguradoras reiteram os avisos e garantem que os Planos de Poupança Reforma (PPR) são os instrumentos mais rentáveis, sobretudo em tempos de elevada volatilidade nos mercados, mas sinalizam um abrandamento na evolução do retorno deste produto no curto prazo.
Segundo dados da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), os PPR das seguradoras não ligados a fundos de investimento foram os que garantiram a melhor taxa de rentabilidade média anual bruta, nos últimos três e cinco anos. Estes produtos têm actualmente uma exposição de cerca de 10% à dívida pública nacional.
O segundo lugar pertence aos depósitos a prazo, para onde muitos clientes se inclinam numa altura em que a banca oferece condições cada vez mais atractivas para a sua subscrição.
Feitas as contas e os PPR das seguradoras garantiram aos aforradores uma rentabilidade bruta de 3,4% ao ano, num prazo de cinco anos, entre 2006 e 2010, enquanto os depósitos a prazo permitiram um retorno de 2,9%, em termos de novas operações.
Os mesmos dados mostram que a tendência se mantém quando se fala em rentabilidade a três anos, e considerando o período entre 2008 e 2010. Os PPR das seguradoras não ligados a Fundos de Investimento voltam a liderar, com uma taxa de rentabilidade média de 3,3%, acima dos 2,7% da conseguida num depósito a prazo.
No entanto, a crise não passa ao lado do sector e reflecte-se nas subscrições de novos PPR.
"Até Maio de 2011 houve uma quebra de 4% no volume dos PPR subscritos, em termos homólogos", revelou ontem Pedro Seixas Vale, presidente da APS, durante a apresentação dos dados compilados pela Associação. Na mesma ocasião o responsável afirmou que entre Dezembro e Maio a quebra efectiva das subscrições foi de 7%. No entanto, "a minha expectativa era de que a queda fosse maior", salientou Seixas Vale.
Em 2010 os fundos dos PPR de seguros registavam um acumulado de 15 mil milhões de euros. Ou seja, praticamente o dobro do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (oito mil milhões). Isto significa que as contribuições anuais chegaram aos 3,2 milhões de euros em 2010. E admitindo que "vai ser difícil atingir estes montantes", o presidente da APS afirma que "manter o stock é o principal objectivo. A expansão far-se-à noutras alturas". No entanto, reforçou o aviso: "os portugueses têm que poupar mais". Em termos de PPR de seguros, os dados mostram que cada português tem, em média, poupanças na ordem dos 6.000 euros. "É pouco. Ainda é pouco", notou Seixas Vale, defendendo que "temos que fomentar uma poupança orientada, porque os portugueses não têm rendimentos muito elevados que lhes permitam poupanças muito elevadas". E, alerta, "aquilo que era alguma segurança trazida pelos sistemas públicos está, neste momento, a ter dificuldades".
fonte:http://economico.sapo.pt/
